Vaga: Faz tudo

Quando decidi sair do emprego anterior para ir em busca de uma oportunidade melhor, na área que escolhi, imaginei que seria difícil e talvez demorado. Estava preparada para ficar alguns meses fora do mercado e investir nos estudos com cursos complementares EAD, mas sempre enviando candidaturas para vagas compatíveis com meu perfil.
Sou formada em Jornalismo, com experiências de 4 anos em Marketing Digital, Conteúdo e Mídias Sociais. Tenho algum conhecimento em SEO, UX Design e gestão da reputação de marcas nas redes sociais, mas olhando algumas oportunidades, sinto que estou longe de ter um currículo adequado.
Ao contrário de mim, meu namorado é um engenheiro de dados, especialista em códigos, números e ferramentas que nunca vou compreender. Seus clientes disparam elogios à cada projeto entregue e vejo seu esforço colocado em cada passo para ser o melhor. Ele é uma inspiração.
Hoje, em busca de vagas compatíveis, encontrei uma intitulada "Analista de mídias sociais" e me empolguei achando que poderia ser uma chance. Ao ler os requisitos, fui pouco a pouco perdendo as esperanças.
Ao que parece, a empresa em questão quer um profissional de SEO e Banco de Dados JUNTOS. Sim, seria uma vaga para eu e meu namorado. O salário? 3 mil reais PJ. Um faz tudo. Uma mão de obra barata. Enquanto ele não entende as aplicações de otimização de sites, eu não compreendo os códigos de dashboards.
É claro que os requisitos também incluíam domínio no pacote Adobe para edição e tratamento de imagens, inglês avançado e outras ferramentas específicas.
São empresas que tiram vantagem do desespero das pessoas e humilham profissionais de todas as áreas, no auge de uma pandemia, onde a humanidade deveria ser o principal requisito.
Seria cômico se não fosse trágico.